La Concepción

Uma concepção e destaques sobre jornalismo impresso e midias digitais

Pantomimas e Debates Eleitorais na TV

 

“Con las palabras se puede ocultar todo”

Pantomimas Y Mimos

A lamentar que a imprensa tenha se rendido e chancelado a pantomima do faz de conta dos debates eleitorais sem exprimir indignação, rejeição ou oposição.

Inadmissível que tenha se curvado a um papel de coadjuvante servil no esclarecimento público de propostas e intenções dos candidatos, que tenha se permitido ser apenas um Quasímodo para a exibição planejada de performances.

Incrível que tenha se dobrado a regras onde candidatos se reservem o direito a perguntas, réplicas e tréplicas artificialmente combinadas entre si e que jornalistas sejam relegados ao papel de animadores de audiência sem diretos similares, de contestação às respostas, de argumentação, de exibição de dados que confiram credibilidade aos seus questionamentos e aprofundamento das questões levantadas.

Mediadores se deixaram transformar em meros apontadores, bedéis do tempo de divagação propagandística dos atores políticos. Abandonaram seu papel legítimo de âncoras dos debates, encaminhadores de discussões, defensores do esclarecimento voltado aos interesses do eleitor/espectador.

A fórmula imperativa de ascendência dos interesses dos candidatos nos debates simplesmente corrói um valor elementar do jornalismo, sua credibilidade.

O compromisso básico, elementar do jornalismo e do jornalista, é com o interesse do eleitor, dos eleitores, do público, e nisso consiste a condição legítima de ser inoportuno e questionador.

Os programas designados como Debates Eleitorais, em qualquer turno, sem a participação contundente e com as limitações artificiais de jornalistas não merecem, seja pela categoria, seja pelo público, essa designação.

São sim, pantomimas animadas a performances pessoais de candidatos e, por isso, pouco ou nada influenciam o resultado da contenda eleitoral.


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Presença de jornais brasileiros no Facebook e Twitter

Movidos pelo vertiginoso crescimento do número de usuários no Brasil, notícias sobre Facebook e Twitter tem sido uma constante dos cadernos de informática, editorias de comportamento, ou conteúdos voltados para executivos e jovens indistintamente. Os jornais não param de citar as redes sociais.

Jornais: eles querem fãs ou followers?

E logo surge a curiosidade sobre a presença oficial desses veículos em ambas as redes .

Só para situar, segundo medições da Ibope Nielsen, realizadas com exclusividade para IDG Now!, que contemplaram o uso da internet em ambiente doméstico e corporativo entre maio e setembro deste ano, o número de usuários do Facebook saltou de 2,7 para 5,3 milhões de brasileiros.

Com uma queda no mês de setembro em relação a agosto, o Twitter registrou a marca de 9,2 milhões de usuários.

Apesar disso, parece que o Twitter arrebatou incondicionalmente corações e mentes nos jornais.

Isto porque, movido pela curiosidade, resolvi fazer um levantamento, isso mesmo, apenas um levantamento preliminar, nada de pesquisa, sobre a participação oficial de alguns dos maiores jornais em circulação paga nessas redes.

Facebook

Cemitério de Páginas Oficiais

Surpreenderam-me algumas constatações imediatas: enquanto praticamente todos os veículos criaram uma conta no Twitter para divulgação da sua produção editorial, apenas um, isso mesmo, um deles, O Dia, criou uma página oficial no Facebook, e seu número de fãs beirava a irrelevância no dia da consulta, 32.

A ausência de participação com página oficial dos principais jornais nacionais no Facebook contrasta com a presença de publicações internacionais de prestígio como o inglês The Guardian com 9.551 fãs, o português Público com 5.660, os americanos The Washington Post com 30.156 e The New York Times com 479.752, bem como o espanhol El País com 3.828, conforme constatado em 04.11.2009.

Já no Twitter, onde a maioria das publicações do levantamento mantém perfil oficial para divulgação da sua produção editorial, algumas publicações receberam significativa adesão de “followers”. Quando comparamos o número de “followers” em relação a sua circulação média paga (base IVC 2008), o Valor Econômico conquistou um séquito equivalente a 21,5% da sua circulação média paga, a Folha 11,6%, Zero Hora 11% e O Dia 7%, conforme apurado entre os dias 2 e 3 de novembro.

Twitter

Todos Os Olhos Nele

Entre os porquês dessa discrepância de atitude dos jornais nacionais na participação oficial em cada rede, acabo por recorrer a alguns dados da pesquisa realizada pela Bullet, que entrevistou 3.268 brasileiros usuários do Twitter entre 27 e 29 de abril passado para traçar o seu perfil: 80% dos twitteiros segue perfis de agências de notícias, jornais, revistas e portais. Mas fico certo de que só esse dado é insuficiente para explicar a adesão quase incondicional desses veículos ao Twitter e sua solene indiferença em relação ao Facebook.

Agora sim, vamos começar a pesquisar essas razões.


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Quadro resumido do levantamento aqui.

Sobre o Levantamento: foram selecionados os dois jornais de economia e finanças em circulação no Brasil, bem como outros 15 jornais que se caracterizaram como os de maior circulação média paga em 2008 segundo o IVC. As publicações estão concentradas na Região Sudeste/Sul. Constam do levantamento tanto ‘prestige papers’, quanto jornais populares. O levantamento foi realizado entre os dias 2 e 3 de novembro de 2009 e teve como motivação apenas o mapeamento da presença desses veículos, seja com página ou perfil oficial, no Facebook e no Twitter.  

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The Economist: Media Convergence Forum

Da “Economist”, vídeo com informações e estatísticas sobre o novo cenário da mídia, anuncia o fórum de convergência de mídia, evento programado para 20 e 21 de outubro/2009, em NY, que terá como tema  “O momento da verdade: consumidores, tecnologia e comércio”.


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Manifesto Internet: 17 constatações para a sobrevivência das empresas de mídia na visão de 15 prestigiados blogueiros alemães.

Manifesto Internet

Manifesto Internet

No último dia 8 de setembro, 15 autores dos principais blogs alemães lançaram, em dez línguas, a versão internacional da sua declaração com 17 pontos sobre “como o jornalismo funciona hoje” ou, pelo menos, como deveria pautar sua atuação nos dias de hoje.

Entre os signatários estão Markus Beckedahl do netzpolitic.org, blog que lidera o ranking Deutshe Blogcharts – publicado por dbc-blog: das blog der deutschen blogcharts, Johnny Haeusler – spreeblick.com, 3º ranqueado, e Thomas Knüwer – Indiskretion Ehrensache, com seu blog abrigado no site do jornal econômico Handelsblatt.

Declaram que, em relação à internet, as organizações de mídia não podem nem devem ignorar ou desafiar a tecnologia disponível, mas adaptar e criar novos métodos de trabalho, produtos e incorporar o diálogo e o intercâmbio, fruto de um novo comportamento amplamente disseminado, que incorpora plataformas de compartilhamento de conteúdos à rotina das pessoas – como Youtube, Wikipedia ou redes sociais; constatam que a disseminação de conteúdos já não requer, necessariamente, investimentos vultuosos, e que o foco está na qualidade da produção do conteúdo: o diferencial entre jornalismo e, mera publicação. Face ao fato de que a Internet exibe grandes quantidades de conteúdos homogêneos, e que as exigências de qualidade por parte do público só fazem aumentar, só aqueles críveis e excepcionais ganharão seguidores constantes a longo prazo.

Num dos aspectos mais sensíveis às empresas de mídia, defendem a arquitetura aberta de acesso e disseminação da informação e, da produção jornalística; que o jornalismo deve cumprir um papel sócio-educativo e que, nesse contexto, a derrocada do modelo atual dos meios impressos é um benefício, uma oportunidade.

Ao mesmo tempo em que defendem de forma enfática e intransigente a utilização de links e citações, inclusos os sem autorização ou remuneração, como nativos do discurso social em rede, declaram que os direitos autorais são o fundamento da organização da informação na internet; mas que esses direitos não podem ser utilizados de forma abusiva para salvaguardar mecanismos de distribuição obsoletos ou para excluir novos modelos ou esquemas de distribuição e licenciamento, imputando que a propriedade implica também em obrigações (deveres cívicos) por parte da fonte de produção.

Tendo em vista que a internet ultrapassa barreiras tecnológicas entre amador e profissional, defendem o livre exercício da produção e disseminação de conteúdos, sem restrição quanto a diploma ou modelo de negócio, tendo em vista que a distinção deve ser feita entre boa e má qualidade de produção jornalística (e não entre conteúdo pago ou não, ou profissionais diplomados ou não/e mesmo amadores), com modelos de negócio aderentes à estrutura da internet, de concorrência livre para as melhores soluções de financiamento e implantação multifacetada dessas soluções.

Quanto ao modelo de negócio, indicam o tradicional financiamento através da publicidade como ‘jornalisticamente justificável’, enfatizando o valor da moeda de troca do tempo do leitor/telespectador/ouvinte, sob a perspectiva desse valor da atenção consumidor, e conclamam a criação de novos modelos que levem em conta essa abordagem.

O documento revela a concepção da Internet como infraestrutura para mudança social superior à dos meios de comunicação do séc. XX, onde o público, o usuário, atribui valor e credibilidade à fonte, é capaz de seguir o fluxo da informação até a origem, utiliza recursos de pesquisa independente, de forma pessoal ou coletiva, agrega e tira partido dos seus próprios conhecimentos e recorre à comunicação direta com disseminadores e produtores da informação. Nessa nova ordem, vaticinam que a demanda não é por jornalistas que sabem tudo, mas por aqueles que comunicam e investigam.

Na minha concepção, a declaração, o Manifesto Internet, no que tange ao modelo de negócio, resvala para o tradicional: recorre à publicidade como fonte de financiamento e, ao menos por enquanto, pois os signatários prometem novas publicações, não aponta soluções de como a mensagem publicitária contratada correrá no sentido de seguir o fluxo da informação e não mais o imperativo do meio em que foi originalmente contratada, com sua replicação e disseminação nas redes sociais e plataformas agregadoras de conteúdos. Não indica como fazer com que a notícia circule com o vínculo publicitário da origem de forma não invasiva, arbitrária ou antiética e como fazer para capitalizar esse novo modelo de circulação da informação. 

Fico na expectativa de um aprofundamento dessa questão fundamental para o sucesso futuro da indústria da comunicação.

*Sugiro a leitura de artigo publicado anteriormente neste blog Comunicação, Publicidade e o Ecossistema Interleads


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Especulações Inovadoras na Produção de Conteúdo – Huffington Post, FiveThirtyEight, Polifact, Everyblock

A busca pela reinvenção do modelo de negócios na mídia impressa e digital carece de se apoiar na especulação por novos modelos produtivos.

Um novo olhar precisa ser dado aos bancos de dados e a reutilização da informação, seu tratamento, bem como, o caráter e extensão da informação a ser disponibilizada por meio. E ainda, a novos contextos interativos que envolvam e fidelizem suas audiências.

Arianna Huffington, la madonna del Post

Arianna Huffington, la madonna del Post

Nesse cenário, destacam-se algumas iniciativas de inovação, que ainda estão sendo colocadas a prova, como Huffingtonpost.com, um projeto concebido exclusivamente para ambiente online. Nascido como blog agregador de todo tipo de informação circulante na rede, evoluiu para um meio que combina informação propriamente dita, conteúdos de terceiros e agrega meios e blogs. Conhecido como agregador dos famosos por seus conteúdos e informação envoltos num glamour emprestado do prestígio de seus proeminentes blogueiros, agora também quer ser local. Na sua evolução, quer concretizar o conceito de ‘rede de redes’, somando o conteúdo de blogs e meios locais numa única plataforma. Seu objetivo é claro: rentabilizar um mercado ao qual pouca ou nenhuma atenção é dada pelos meios tradicionais. Iniciando por New York e depois Chicago pretende, nas palavras da sua madonna, Arianna Huffington, disponibilizar uma “seleção da melhor cobertura informativa local, com a colaboração de blogueiros – alguns conhecidos, outros que teremos o prazer de apresentar – ávidos por compartir suas visões sobre tudo, da política local a moda, gastronomia, imóveis, esportes e negócios”, num pacote de opinião abundante, agregação de conteúdos externos e famosos. Segundo sua editora, Katharine Zaleski, cada site terá sua própria página, onde seus editores associados e diretores determinarão o montante de conteúdo a ser exibido, e tais histórias também contarão com links específicos apontados para elas.

Nate Silver, o golden boy

Nate Silver, o golden boy

Destaco também a experiência de Nate Silver com seu FiveThirtyEight.com. Em 2007, sob o pseudônimo “Poblano”, Nate começou a publicar análises e predições relativas às eleições presidenciais americanas de 2008. Após seu primeiro trabalho ser publicado no blog político Daily Kos, estabeleceu seu próprio site em maio de 2008, FiveThirtyEight.com. E a partir daí passou a freqüentar como analista político jornais de prestígio nacional, sites e TVs a cabo. Nate recorreu à matemática e informação para simular 10 mil vezes por dia os resultados eleitorais para dar sentido e clareza às sondagens eleitorais, a matéria prima que lhe serviu para publicar as análises políticas mais precisas do mercado. Para se ter uma idéia, acertou o vencedor em 49 dos 50 estados e foi indicado como uma das 100 pessoas mais influentes pela revista Time. No Brasil, nos anos 80, o jornal Folha de S.Paulo apostou com ênfase no Datafolha, cujas pesquisas se tornaram um dos pilares de credibilidade do jornal, levando ciência onde imperava a especulação. Essas pesquisas serviram tanto ao jornalismo de serviços incentivado pelo jornal, como pesquisas de preços de serviços, de opinião e comportamento, como para o jornalismo político. Basta lembrar da manchete solitária da Folha colocando Lula no 2º turno com Collor, quando todos os outros grandes veículos de comunicação apostavam em Brizola, ou se eximiam duma assertiva. Foi também um grande investimento técnico voltado para o aprimoramento do conteúdo, da qualidade e confiabilidade editorial. E isso nos anos 80. Hoje, com todos os novos recursos de interatividade proporcionados pelo online, de acesso remoto a banco de dados, das oportunidades para se trabalhar a classificação e recuperação de dados com bancos desestruturados e a interação de seus conteúdos, das enormes possibilidades que recursos de web2.0 oferecem para a estruturação criativa de conteúdos e serviços, não vejo resultados inovadores e relevantes e, justiça seja feita, desconheço, no Brasil, outros veículos investindo no desenvolvimento inovador de aplicações para seus conteúdos que ajudem usuários (sejam usuários que participam da produção da informação ou seus consumidores) a selecionar, organizar, incrementar, distribuir, colecionar e, principalmente, interagir com a informação, de forma a gerar valor agregado.

Obama, promessas na mira do Polifact

Obama, promessas na mira do Polifact

Impossível falar de inovação, pertinência e relevância em produção de conteúdo sem tomar como referência a iniciativa do jornal St. Petersburg Times, que levou este ano o prêmio Pulitzer pelo Polifact.com, um projeto que parte de um preceito muito simples e arrebatador: repórteres e editores do jornal checam e colocam a público, no site, se as declarações de políticos estão em conformidade com suas plataformas e se suas promessas estão sendo cumpridas. Em particular, no que se refere ao mandatário do seu país, criaram o Obameter, que elenca e acompanha sua fidelidade em relação a mais de 500 promessas de campanha. Um exemplo muito eficaz de como a imprensa pode fazer transparente o necessário compromisso de acompanhamento da notícia, um serviço, acredito, indispensável para o cidadão. E o modelo não se restringe, a meu ver, apenas a promessas políticas, mas ao andamento de obras públicas, da qualidade de serviços e tantos outros assuntos locais e nacionais que podem ser colocados em evidência para o acompanhamento dos interessados. Essa é uma perspectiva de serviço do jornalismo que foge às manchetes passageiras e tem a capacidade de fidelizar o usuário pela relevância do serviço. Aí se percebe o grande potencial de twitters, agredadores de notícias e redes sociais como ferramentas de fidelização do usuário a serem integradas no processo de circulação da notícia sob o incentivo, patrocínio e ao abrigo da marca da empresa geradora da informação e, claro, dos seus anunciantes*.

Holovaty, the mashup man

Holovaty, the mashup man

Outra iniciativa interessante, Everyblock, vem das mãos de Adrien Holovaty, um dos pioneiros da figura jornalista/programador, conhecido pelo site Chicago Crime. Antes, falar um pouco de Chicago Crime: foi a primeira experiência que me impressionou profundamente, ao integrar o banco de dados de ocorrências criminais mantido pela polícia de Chicago a um banco de dados de mapas, no caso iniciou com o Google Maps, permitindo o georeferrenciamento do risco em toda cidade, de forma simples, compreensível e útil a qualquer cidadão. Ambos os bancos de dados eram públicos, e permitiam um mashup, ou seja, criar um website ou uma aplicação web que usa conteúdo de mais de uma fonte para criar um novo serviço completo. O conteúdo usado em mashups é tipicamente código de terceiros através de uma interface pública ou de uma API (Application Programming Interface) que, por sua vez, é um conjunto de rotinas e padrões estabelecidos por um software para a utilização das suas funcionalidades por programas aplicativos – isto é: programas que não querem envolver-se em detalhes da implementação do software, mas apenas usar seus serviços. Bastava acessar o site para saber o tipo e qual a incidência de crimes por região, bairro ou rua da cidade. Permitia olhar para a vizinhança do domicílo desejado, simular trajetos, e avaliar o risco. Daí para perceber sua importância para o mercado imobiliário, foi um pulo. Hoje, trasmutado em Everyblock.com, abarca informações de 15 cidades americanas, é uma plataforma/base de dados de toda informação local. Um agregador de informação de proximidade, tanto quanto de serviços como notícias. Quando se fala em valor agregado da informação, sempre imagino esse serviço acoplado a classificados de imóveis, só para dar um exemplo de como esse conceito pode ser útil às empresas que produzem e divulgam informação.

Enfim, como diz Pablo Mancini, Magister Internacional em Comunicação e Jornalismo no Chile, “sin nuevos modelos productivos para la organización periodística, ni contextos interactivos para las audiências, nada tenemos que hacer los periodistas em la Internet inmediata”.

Não sou jornalista, sou oriundo do marketing, e me alinho com o conceito.

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* Para poder tratar desse tópico de forma mais adequada e não fugir ao tema central deste, deixo seu desenvolvimento para um post futuro.

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Campanha Institucional de Jornal Lá, Oh Pá, e Cá

Para comparar a publicidade institucional de jornais que se veicula dos dois lados do Atlântico.

Um filme da campanha ‘O Público Sou Eu’ da excelente publicação portuguesa Público.

Uma peça da mais recente campanha institucional da Folha de S.Paulo, “Mosca”, baseada numa letra do genial músico Raul Seixas.

É curioso observar a semelhança na estrutura dos filmes: câmera nos depoentes, num caso, de supostos leitores, no outro, jornalistas da casa. Curioso constatar também uma mudança de vulto na postura da Folha ao recorrer a seus colaboradores, já que teve como princício, por muitos anos, não destacar pessoas e focar no posicionamento editorial do jornal.

E um clássico, com introdução de Washington Olivetto, para permitir uma comparação histórica com o que se produz hoje em termos de campanha institucional de jornais na língua de Camões. Para quem já conhece, uma oportunidade de rever um dos melhores filmes de todos os tempos, e para quem ainda era criança quando foi veiculado nos idos de 1988, a chance de conhecer esse que foi um pilar na comunicação daquele que se tornou o jornal de maior circulação no Brasil.


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Comunicação, Publicidade e o Ecossistema Interleads

neuralnetNem tão antigamente assim, uma empresa jornalística dominava o processo de  produção do conteúdo, definia o(s) suporte(s), tinha o controle da produção industrial, o de distribuição e regia seu alcance. Tinha sob controle para quem pretendia produzir informação, como e quando seria consumida e delimitava sua cobertura territorial , ou o onde. A grosso modo, definidos esses parâmetros, promovia o encontro entre público e anunciantes.  A evolução da segmentação de conteúdos e serviços permitiu atingir de forma mais eficaz a correspondência entre os diversos interesses de um público pré-definido e segmentos do mercado publicitário.

Hoje, só mesmo livros de história da comunicação parecem registrar que embates mortais na área de distribuição eram travados entre jornais pelo horário de chegada à casa do leitor, que esse era um fator de diferenciação tão fundamental como o próprio conteúdo, ou das guerras travadas nas trincheiras da qualidade do papel e impressão. 

EvolutionA evolução do mercado de serviços, a multiplicação de empresas especializadas e o desenvolvimento industrial, permitiram o barateamento e produziram alternativas seguras para as operações, e abriram uma janela para a terceirização de processos industriais e de distribuição. Mas o controle da produção do conteúdo, já então eleito como ‘core’ do negócio da comunicação, permaneceu a curtas rédeas nas empresas, e o modelo de negócio, inalterado. 

A evolução tecnológica teve um papel secundário nesse passar do tempo, o de tornar os processos mais eficientes e mais baratos, em sintonia com a produção industrial e de distribuição da notícia. 

Mas a chegada da internet, com alcance verdadeiramente revolucionário para além da introdução dos computadores no processo industrial da notícia, veio desorganizar esse modelo linear, esquemático e cartesiano. 

O conceito de distribuição da notícia dá lugar ao de ‘circulação da informação’. 

À produção industrial por ‘meio’ sucede a plataforma multimeios. 

A produção centralizada do conteúdo cede lugar à formação de redes de informação. 

A publicidade corre no sentido de seguir o fluxo da informação e não mais o imperativo do meio. 

E com tantas e fundamentais mudanças no modo de produzir informação, na forma como atualmente ela circula e é consumida, como podemos ainda nos ater à crença de que o vigente modelo de negócio cartesiano, afinal, poderia ser adaptado? Como, se todos os preceitos básicos do modelo industrial fordista foram alterados? 

A distribuição da informação não é mais monopólio de quem a produz. Blogs, redes sociais e agregadores de notícias se incumbem de dar alcance jamais imaginado pelas empresas de comunicação. 

As notícias são avalizadas, criticadas, editadas e, de modo geral, até onde tenho visto, recebem os créditos da origem. Mas nem sempre carregam consigo o patrocínio ‘original’ ou a publicidade nativa agregada e determinada pelo veículo fonte da notícia, e aí mora um problema para o veículo que originou a informação dentro do modelo vigente de negócios. Se ela circula  mas o receptor não volta à origem, como saldar o compromisso com o anunciante? E como fazer com que a notícia circule com o vínculo publicitário da origem de forma não invasiva, arbitrária ou antiética? Como capitalizar esse novo modelo de circulação da informação? 

Adaptando ao universo das empresas de comunicação o que propala Nick Moore, o Creative Chief da Wunderman, ‘existe um tipo de relacionamento que as empresas não controlam, porque se dá entre consumidores, mas que mesmo assim precisa ser explorado’. 

060903_rodaNesse novo modelo multimeios de circulação da informação, ‘o planejamento de mídia não é mais apenas a definição de meios, mas sim a montagem do mapa de conexões’ …como bem li num oportuno post do Blue Bus… ‘ um exemplo simples da distância que as agências ainda precisam percorrer: 67% das buscas online são provocadas pelas ações de comunicação offline, no entanto, o plano de mídia e a estratégia de search na maior parte das vezes são feitas em momentos distintos, por agências diferentes, sem que se estabeleça conexão’. 

Segundo Marcelo Coutinho, professor da disciplina Comunicação e Negócios na Era Digital, da pós-graduação Latu Sensu em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero e Diretor-Executivo do IBOPE Inteligência, ‘organizar a produção de conteúdo, da criatividade e da comunicação em um formato mais flexível e lucrativo é o grande desafio…a solução talvez seja criar uma arte ‘let it go’, a diferença entre controlar e indicar, pensar a publicidade para além do valor da marca’. Ou seja, como interpreto e já venho ruminando há algum tempo, pensar publicitáriamente um ecossistema de mídia ‘interleads’.

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Jornais: boas notícias d’além-mar

Público Campaign _Magazine & Public DesignDepois da alvissareira notícia do lançamento do jornal IOL e sua versão web ionline.pt, que conta com boa utilização de recursos web 2.0, o prestigiado jornal Público realizou uma conquista inédita para a mídia impressa portuguesa ao receber o Lápis Amarelo na categoria de Magazine & Newspaper Design, uma espécie de Oscar do design, atribuído pela Design and Art Direction, fundada há 47 anos para promover a excelência no design, na publicidade e nas artes visuais.

Exemplos de que a indústria portuguesa de jornais dá mostra de vitalidade e ousadia com o lançamento de títulos, se aprimora nos requisitos técnicos e investe em qualidade para tornar seus produtos competitivos. Boa fórmula, sem dúvida.

Veja a campanha premiada clicando aqui.

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Jornais que abandonam o papel e apostam em exclusivo no online fazem a aposta errada “?”

Amigo residente na terra dos pastéis de nata e militante do interesse sobre os caminhos e descaminhos da mídia impressa, enviou-me matéria publicada no prestigiado jornal Público, com o provocativo título que alude a um estudo da Faculdade de Jornalismo da City University de Londres, “Jornais que abandonam o papel e apostam em exclusivo no online fazem a aposta errada”.

Antes, cumpre informar que o jornal é acessível nas versões impressa e online, que li a matéria na sua versão online em PUBLICO.PT, o que teria sido improvável na sua versão impressa já que resido em terras d’além-mar, que podemos classificá-lo como ‘prestige paper’ e que recentemente foi o primeiro jornal português a conquistar o inédito e prestigiado Lápis Amarelo, um equivalente do Óscar na categoria de Magazine & Newspaper Design, atribuído pela sociedade Design and Art Direction.

TaloussanomatSegundo o estudo, jornais que abandonam suas edições em papel e passam a apostar exclusivamente nas edições online podem perder 75% das receitas e também reduzir o número de visitas na Internet. O objeto de estudo foi o diário econômico finlandês Taloussanomat, que acabou com a edição impressa em 2007 e como resultado perdeu 22% da sua audiência online, seus visitantes passaram a dispender 75% menos tempo no site e que, feitas as contas, o título tinha reduzido as despesas em 52%, mas também havia diminuído a receita em 75%.

Apesar da audiência em sites de jornais, em geral, ultrapassar em muito seu número de leitores da edição impressa, parte altamente qualificada dessa audiência, ainda mais em se tratando de um jornal local de economia, é sustentada por pessoas que emprestam sua atenção a ambos os meios, acessando-os em momentos e com propósitos adequados circunstancialmente à sua conveniência. E isso, creio eu, vale para o Taloussanomat, Valor ou a falecida Gazeta Mercantil. A idéia de que hoje a extinção da distribuição em um meio acarreta necessária e incondicional migração para outro não vinga. Boa parte do prestígio e da geração de ‘leads’ de marcas tradicionais nascidas da mídia impressa ainda está ligada a sua versão papel. Recentemente, o ‘barão’ Murdoch, dono de um vasto império de títulos, dá uma estimativa de 20 anos para a extinção da mídia impressa como a conhecemos por se tratar de processo indissolúvel de renovação geracional.

O que levou os dirigentes do Taloussanomat a extinção da versão impressa teria sido a perda de audiência e constantes prejuízos. Ainda citando a entrevista do ‘Barão’, fica claro que a questão central das empresas jornalísticas “não é o impresso (eu diria não são também os meios digitais), é o prejuízo”.

Se é certo que o futuro está no online, hoje a receita ainda está no impresso. 

O prejuízo não tem sido motivado só pela perda de leitores ou pela recente recessão que retrai o mercado publicitário, esses problemas têm a ver com um modelo de receita  que está perdendo sua capacidade de gerar lucros ou mesmo compensar custos.

Classificados2Jornais de interesse geral já não são capazes de gerar receitas com classificados como antigamente pelo simples fato de serem cada vez menos reconhecidos, e isso já vem de há muito tempo, como a principal praça de encontro da oferta e da procura. O varejo foi procurar um meio de comunicação de massa, a TV, para propagandear suas ofertas e deixou a internet para o consumidor se informar de detalhes e comparar preços. E os jornais de economia brasileiros constatam uma renitente migração de receitas para jornais não especializados e locais, fruto de novas interpretações da legislação, bem como da redução do númeor de empresas com liquidez na bolsa de capitais, fruto de fusões e aquisições ou por terem sido simplesmente varridas do mapa.

Apesar de algumas propostas alternativas de cooperativismo jornalístico e outros modelos baseados em receita gerada fundamentalmente pela venda de conteúdos, tirando-se empresas de broadcasting, o crucial é que não constato modelo de negócio para empresa jornalística de porte com produtos de larga aceitação que dispense a participação preponderante da publicidade no mix de suas receitas.

Então, antes de atirar a pedra no meio, há que se refletir, inventar e reinventar conteúdos e serviços que sejam capazes de atrair segmentos do mercado publicitário pela sua relevância, diferenciação, capacidade de gerar audiência e de fidelizar o público. E isso vale para a presença dos jornais em ambos os meios, seja impresso ou online.

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Reinventando o Jornalismo em Londres

Shape the Future, por Roland Tanglao

Shape the Future, por Roland Tanglao

O evento, marcado para 10 de julho, será uma realização cooperativa da National Endowment for Science, Technology and the Arts e Web Science Research Initiative,  e espera reunir jornalistas e desenvolvedores para discutir caminhos para a reinvenção do jornalismo. Mais informações no guardian.com.uk em http://bit.ly/Gd83v .

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